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segunda-feira, junho 30, 2003

 
Campainhas
Descobri, desde que a E. nasceu, até que ponto vivia sob a ditadura das campainhas. Foram muitas as vezes em que, com ela ao peito, quase saltei para atender portas e telefones. Mais aquelas em que roguei pragas a carteiros, distribuidores de publicidade e mesmo a prestáveis e queridos amigos e parentes. Quem tem bebés (e filhos pequenos, creio), aprende a dar às campainhas a importância relativa que elas merecem, a pesar prós e contras antes de se sobressaltar, a não atender e a não abrir. Mas no processo sente-se (pelo menos eu sinto-me) um frustrado cãozinho de Pavlov.
Amigas e amigos sem filhos: lembrem-se que uma mothern nem sempre pode atender o telemóvel (muitas vezes deixado do lado oposto da casa àquele em que se está a dar banho, de mamar, etc.) e menos vezes ainda (por razões óbvias) o telefone propriamente dito e que basta tocar uma vez à porta. E, já agora, fiquem a saber que o sono de uma mothern é quase tão sagrado como o do seu bebé. Se por acidente o interromperem, peçam desculpa com bons modinhos e liguem mais tarde. {

dito por Rosa Pomar às 10:34:00 da tarde
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terça-feira, junho 24, 2003

 
Devem os remédios saber mal? O que eu recordo da minha infância é o consolo docinho que o xarope, em momentos de mal estar e tremeliques de febre, me deixaram na memória. Penso que se os medicamentos soubessem mesmo mal (tipo purga) havia uma grande probabilidade dos bebés associarem a doença a um estímulo penoso (reforço negativo). Se souberem bem, pelo contrário, o que podem aprender é que há qualquer coisa docinha, que ainda por cima, alivia e cura. A sério, não fiques aborrecida com a falsidade do sabor. Se souber bem, a E. vai recordar que a mãe lhe dava uma poção mágica que tira o doi-doi. O sabor da fruta verdadeira há-de ser registado de outra maneira.
Espero que a ervilhinha fique boa muito depressa...
Beijinhos do p e da m para ela. {

dito por isabel às 11:50:00 da manhã
}


domingo, junho 22, 2003

 
Aromas
Sempre achei que os medicamentos deviam saber mal. Talvez fosse mais difícil dá-los a bebés e crianças mas talvez por outro lado eles tivessem menos tendência para os tomar por iniciativa própria. Mas os remédios não só não sabem mal como sabem a morango, banana, rebuçado e etc. Lembrei-me disto porque a E., que nunca tinha provado nada senão o meu leite, teve de tomar um remédio. E esse remédio tem por ingrediente um aroma artificial de tuti-fruti. Ficou a saber ao que sabe o aroma de tuti-fruti sem ter nunca ter provado fruta. Já lhe expliquei que está a ser enganada, e que um dia há-de saber ao que sabem maçãs, laranjas, pêssegos e ananases, mas aborrece-me na mesma. {

dito por Rosa Pomar às 12:18:00 da tarde
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terça-feira, junho 17, 2003

 
Gosto de estar aqui convosco... Obrigada Rosa. Gostava de conseguir dizer porque sinto vontade de aqui escrever e como me sinto ao fazê-lo. Já esqueci tanta coisa do meu dia a dia com o Tomás, que só tem 2 anos. Tudo vai tão rápido. É bom escrever antes que as memórias escorreguem. Algumas notas. A primeira canção que o Tomás cantou (Frère Jacques), a primeira história que lhe contei à noite (Le Veilleur de nuit et le petit chat blanc), a primeira vez que ele foi brincar na noite com os amigos (há poucos dias, acompanhado pelo pai). Os olhos do Gabriel a olhar para nós, a maneira que ele tem de se aconchegar no nosso colo, e de lá se abandonar. São só algumas palavras anotadas, mas chegam para mim para que surjam outros detalhes, o calor duma noite, a silhueta miúda do Tomás a brincar no obscuro lá fora, onde se ouve o canto dos grilos, os beijos que ele me deu repentinamente na testa, naquele passeio do outro dia em que ele andava nos meus ombros, o riso do Gabriel, o calor do Gabriel... São só algumas palavras, memórias boas, que ajudam a sorrir no dia a dia. Porque aqui as coisas não são perfeitas, como diz o Rui. Vou guardar os textos numa pasta especial. Para o Gabriel e o Tomás, para o Rui. Para os ler quando for velhinha, fumando talvez um cigarro, o que nunca mais fiz desde que engravidei do Tomás. {

dito por Anne às 10:43:00 da tarde
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estou preocupada com a questão da coerência entre os valores e crenças que transmitimos aos nossos filhos e os comportamentos "reais" que temos. é preciso ser consistente, é necessária coerência. hoje soçobrei neste aspecto. revoltada com o lixo e os dejectos de cão que encontrámos a caminho da escola, disse à minha filha que viviamos rodeados de "bichos", de "infra-humanos", de pessoas que mereciam viver numa pocilga. não me orgulho do que disse. ainda não sei se estou arrependida do ter dito. é revoltante ver um espaço urbano com todas as condições para proporcionar qualidade de vida (espaços verdes, passeios largos, muitas árvores, até a edificação, ordenada e decentíssima) ser devassada e corrompida pelo comportamento torpe de alguns. mas em relação aos valores, eu sempre tentei incutir aos meus filhos, o respeito pelo "outro", a empatia e a compreensão com os que nos rodeiam, a confiança nos outros seres humanos. hoje, manifestei abertamente desprezo e desconsideração que alguns me merecem. e agora, esta incongruência preocupa-me. {

dito por isabel às 11:06:00 da manhã
}


sábado, junho 14, 2003

 
Epifanias
Hoje saí logo pela manhã com o Tomás pois ele estava a iniciar uma crise de stress matinal. Levámos a bola (aquela que tem um urso estampado...) e fomos para um jardim. O Tomás não quis jogar à bola. Pegou na minha mão e levou-me para uma pastelaria ali perto. Puxou por uma cadeira e tentou sentar-se. Convidou-me a sentar e pediu-me um «calacatom» (em português: gelado).
Perante tal determinação e desenvoltura não resisti e dei-lhe um gelado. Fiquei a vê-lo comer. Depois puxei do meu bloco e escrevi este texto, comovido...

Nota: no final desta história haveria gelado espalhado por todo o lado, e um pai em stress, só para não pensarem que é tudo perfeito por aqui... {

dito por Rui às 11:36:00 da manhã
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quinta-feira, junho 12, 2003

 
Ainda sobre livros para crianças
Acabo de descobrir a International Children's Digital Library: centenas de livros para crianças reproduzidos integralmente e em muitas línguas diferentes (mas não em Português). Merece visita :) {

dito por Rosa Pomar às 5:38:00 da tarde
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sábado, junho 07, 2003

 
Toda gente conhece o jogo das cadeiras musicais. Na nossa casa inventou-se uma nova brincadeira. Podíamos chamá-la a roda das camas.
O Tomás, 2 anos, adormeceu hoje para a sesta no amarelo da minha cama. Pouco depois o Gabriel, 4 meses e muitos dias, aconchegou-se ao meu colo, e não resisti à ideia de dormir por uns momentos. Deitei o Gabriel ao pé do Tomás e deitei-me ao pé dos meus filhos. Uns minutos depois, senti um furtivo abraço. Era o pai do Tomás e do Gabriel que se tinha deixado seduzir pela ideia de uma sesta. Nós os quatro na cama e o lençol amarelo à volta... por um curto momento. É que o Gabriel não queria dormir. Não achava graça a sesta nenhuma. Desisti da ideia agradável de me deixar embebedar já pelo sono e levantei-me, o Gabriel nos braços. Fui até ao quarto das crianças e deitei-me por cima das borboletas azuis do lençol da cama do Tomás. Muitos mimos depois, o Gabriel acabou por adormecer. Na sonolência de uma tarde de fim de semana, sorri a pensar que ainda não era hoje que podíamos prever na nossa casa, ao pé de quem é que se adormece, dorme e se acorda.
Anne.
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dito por Rui às 11:01:00 da tarde
}

 
Este ano ainda não fui à feira do livro, nem decidi se será melhor levar o carrinho (tão pesado e pouco adaptado à calçada portuguesa) ou o porta-bebés (pouco prático para me chegar aos livros e mais violento para as costas) mas já comprei livros infantis. Engravidar foi uma excelente desculpa para voltar a comprá-los. Ainda por cima, apesar de a maioria do que por cá se publica para crianças ser um insulto à inteligência de todas elas, encontram-se outra vez livros lindíssimos. E alguns, pasme-se, são portugueses! O meu preferido de entre as últimas compras já tem uns anos e dei com ele numa daquelas feiras de restos a ?3. Chama-se Isaurinha Ensina a Ler e o autor é o Pedro Cavalheiro (Terramar, 1997). Os desenhos são muito claros e as personagens, inspiradas em fotografias do século XIX, dizem coisas como "Estas letras servem para escrever nomes de escritores ingleses vitorianos como Charles Dickens" (a propósito das letras K, Y e W). Não é um livro "didáctico" (eu detesto livros "didácticos"), é mesmo só um livro bonito. {

dito por Rosa Pomar às 10:39:00 da tarde
}

 
Todos iguais, todos diferentes
O Tomás chorou pela primeira vez na consulta de rotina. Fez uma birra enorme com a enfermeira e recusou-se a deixar-se medir e pesar. Chorou com a pediatra, não queria deixar-se tocar e observar. Foi a primeira vez, e disseram-me que é da idade: "entre os dois e os três anos eles fazem isto"...
Este tipo de afirmação surge inúmeras vezes na vida dos fatherns (e das motherns também). Nos livros, revistas, a partir de amigos, vizinhos ou estranhos que cruzamos na rua: esta fase, aquela fase, é altura disto ou daquilo, é normal, o meu foi igual - é mesmo assim. Música para os nossos ouvidos, pois aquilo que mais queremos é que os nossos filhos sejam saudáveis e "normais". Acabamos mesmo por nos deslumbrarmos com aquilo que no fundo é mais previsível num bebé - os seus primeiros passos numa das infinitas direcções que vão percorrer, que todos percorrem...
Ao mesmo tempo procuramos incessantemente os sinais (sem ser fisionómicos) daquilo em que eles são absolutamente singulares, distintos e únicos... mas isso está na sua própria existência, no simples facto de estarem vivos (em todos os sentidos...), e na forma como crescem, se desenvolvem, apesar de tudo e de forma inevitável. As suas existências, em si mesmas, são únicas e absolutamente distintas ou singulares... As birras do Tomás são únicas, não são iguais às birras de mais nenhum bebé. As fases "previsíveis" do Tomás são absolutamente únicas e só ele as poderia viver da forma como vive...! Parabéns Tomás, e a todos os outros bebés, pelos seus diaversários, mesiversários e aniversários!


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dito por Rui às 11:32:00 da manhã
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quarta-feira, junho 04, 2003

 
mais um post esclarecedor e divertido das mothern.
desta vez acerca dos gostos e preferências musicais das crianças.
há algum tempo, o professor de educação musical da mariana pediu aos alunos para cantarem uma canção que gostassem. a minha menina cantou o let it be dos Beatles. ninguém conhecia. e claro que a mariana não conhecia nenhuma das canções do momento, shakira, aguilera, e afins. estranha forma de exclusão... agora, a mariana passou a ouvir rádio (antes limitava-se aos cd`s cá de casa) e revela-se uma ouvinte muito activa, tem preferências e é muito crítica... e, frequentemente, lá está ela a ouvir um cd, dos da casa...
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dito por isabel às 2:02:00 da tarde
}


domingo, junho 01, 2003

 
Pesadelo recorrente:
Chego a um sítio qualquer e dou conta de que me esqueci da E. em casa ou noutro lugar. Entro em pânico (às vezes acordo nesta altura). Tento regressar ao sítio em que a deixei, a correr, a chorar e pensar para mim própria como é que foste capaz de uma coisa destas (outras vezes acordo aqui). Mil obstáculos mirambolantes atrasam o meu regresso: ruas quase na vertical de tão inclinadas, portas fechadas, etc. Puf, puf, puf... Acabo por encontrá-la, ainda no sonho ou porque pulo da cama para ter a certeza. {

dito por Rosa Pomar às 10:44:00 da manhã
}